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Diário de viagem aos Estados Unidos: a experiência burocrática para acesso ao país

A cabo da policia militar de Minas gerais, Juliana Lemes da cruz é doutoranda em politica social pela UFF – Universidade federal fluminense, pesquisadora da GEPAF-UFVJM e coordenadora do projeto MLV mulheres livres da violência da região no vale do mucuri, além dessas varias funções ela tira um tempinho para registrar, relatar e escrever sobre fatos e situações da rotina e do cotidiano.

Abaixo o texto relata sua última viagem ao exterior e a burocracia enfrentada em tempos de pandemia.

Este registro sintetiza um conjunto de estímulos que recebi durante e após eu ter exposto nas minhas redes sociais, imagens e relatos sobre minha última viagem de férias, ocasião em que visitei os Estados Unidos da América (EUA). Embora tenha sido breve, apenas 10 dias, a experiência demandou certo grau de planejamento. Certo é que, uma viagem para aquele país, em especial, exige o preenchimento de critérios delimitados pelas autoridades norte americanas para acesso ao país. O que gera, em regra, muitas dúvidas. Em razão disso, brevemente, compartilho minha experiência de viagem aos EUA desde os primeiros passos que precisei tomar.

Para começar, vale lembrar que para o acesso regular a alguns países, como por exemplo, Austrália, Cuba e EUA, há a exigência aos brasileiros de uma espécie de autorização para entrada e permanência naqueles países, o chamado visto. Essa autorização varia, podendo se dar mediante o pagamento de uma taxa paga antes do embarque ao país, como é o caso de Cuba, como pode ser mais rigoroso, a exemplo dos EUA, que exigem do interessado em acessar o país, tempo hábil antes da compra dos bilhetes de viagem para a obtenção do visto.

Pois bem! Organizei o texto sobre a burocracia para esse tipo de viagem em dois blocos e a partir das perguntas que mais ouvi quando informei aos amigos e conhecidos que visitaria os EUA. No bloco 1, relato sobre solicitações básicas, relacionadas à documentação – fase anterior à aprovação do visto. E o bloco 2, sobre a viagem em si e o acesso aos EUA. Na sequência de cada questão, vou respondendo essas dúvidas a partir da realidade que vivenciei. Importante salientar que, trata-se de uma experiência pessoal e que, não tenho a pretensão de alcançar vivências distintas de outras pessoas em visita àquele país.

Os passos básicos para a minha viagem com a finalidade de turismo:

BLOCO 1

  1. Solicitação do passaporte – você deve acessar o site da Polícia Federal (link abaixo) para solicitar o documento. Ele demandará o pagamento de uma taxa que hoje, custa R$257. Após a confirmação do pagamento pelo sistema, você deve agendar a visita presencial a um posto da PF para formalizar seu pedido. O local mais próximo desta região é a cidade de Governador Valadares, que, embora seja nacionalmente conhecida como a capital da imigração irregular para os EUA, tirar o passaporte por lá, não tem sido um fator determinante para que o visto seja negado, como muitas pessoas acreditam. Meu passaporte foi feito lá;
  2. Solicitação do visto americano – pode ser feito por qualquer pessoa acessando o site do consulado americano ou por meio de uma agência de turismo. No meu caso, fiquei mais segura contratando uma agência, porque um preenchimento equivocado pode gerar a recusa do visto. Os passos são: preencher o formulário DS 160 – custa 160 dólares; pagar a taxa; agendar visita ao Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto – CASV, onde serão coletas impressões digitais e fotografia; e agendar entrevista no consulado ou embaixada. Agendei no Rio de Janeiro, mas, há também em São Paulo, Recife e Porto Alegre. Importante organizar uma série de documentos que comprovem vínculos com o Brasil. Esse é o ponto chave. Sendo o visto aprovado, o passaporte é recolhido pelo agente no posto de solicitação e é enviado a você em 10 dias com seu visto;

BLOCO 2

  1. Visto OK – Aquisição dos bilhetes de viagem – pode ser feito por agências de viagens ou diretamente no site das companhias aéreas pelo próprio viajante. Bom comprar os de ida e volta de uma vez – para indicar o interesse em retornar para o Brasil;
  2. Aquisição da moeda do país – é possível comprar dólares em locais próprios em Teófilo Otoni.
  3. O que é possível levar na mala despachada e na de mão – Viajei pela primeira vez aos EUA no ano de 2014 para visitar familiares. Na ocasião, levei alimentos locais, como: manteiga, queijo, requeijão, geleia, doces e até cachaça. Tudo foi inspecionado na alfândega de Miami/EUA, e liberado para adentrar ao país. Até hoje me perguntam como consegui entrar com tantos alimentos. Respondo que eu preenchi a ficha de declaração do que estamos levando na bagagem com a verdade. Talvez seja por isso. Minha última viagem eu fiz no final de março de 2022. Dessa vez, não entregaram ficha para declaração do que eu levava e, acabei não sendo selecionada para passar pela alfândega para inspeção. Novamente, levei produtos locais, que chegaram ao destino final: à mesa dos meus familiares. Na mala de mão, aquela que vai próxima a você dentro do avião, não pode conter quantidade de líquidos acima de 100ml, nem materiais perfuro/cortantes, por exemplo. Se você chegar com materiais proibidos para embarque será obrigado a se desfazer deles – vão para o lixo;
  4. Sobre o idioma – a comunicação é bastante limitada quando não se fala o inglês, mas, não é impossibilitada. Eu, por exemplo, ainda não sou fluente. No entanto, em Miami, o espanhol também é comum no aeroporto. Realidade que não encontrei em Nova Iorque, por exemplo. O agente falava apenas inglês, mas como costumam ser pacientes com estrangeiros que não compreendem o idioma, mantive-me tranquila. O inglês não deve ser visto como um grande vilão ou impedidor de sua viagem. No final, dá certo.
  5. Seguro Viagem/Saúde – diferentemente do Brasil, os Estados Unidos não dispõem de assistência à saúde universal ou gratuita. Assim, um seguro viagem/saúde pode ser um resguardo para qualquer eventualidade. Não é obrigatório para ingresso nos Estados Unidos e contêm planos bem acessíveis. Na última viagem eu fiz um seguro, ele me custou pouco mais de R$200 para cobertura nos 10 dias de viagem;
  6. Onde se hospedar – em hotéis, que podem ser agendados on-line de forma particular ou por agências de turismo. Ou mesmo, você pode indicar o endereço de alguém que possa te receber nos EUA;
  7. A dinâmica dos aeroportos – Para viagens internacionais, o indicado é que o viajante esteja no local para fazer o check-in e despache das bagagens três horas antes do voo; diferentemente dos ônibus, nunca é permitido sair correndo desesperadamente para acessar o avião instantes antes de sua partida. O processo é burocrático e cansativo. Exige atenção constante. Lanchar em aeroportos não um bom negócio, embora, seja necessário. Bom reservar uma grana para custear essa despesa. Um cafezinho pode custar R$15 e uma garrafinha de água, R$9;
  8. Quanto tempo de viagem e o que há disponível no avião – Nas viagens que fiz, desembarquei em solo americano com nove horas de viagem. Durante o voo é servido almoço ou jantar, e café da manhã, conforme o caso. Não se passa forme! Os banheiros são bem compactos. Em cada poltrona há disponível uma tela onde é possível assistir filmes, música e saber o status do voo;
  9. O que perguntam na imigração – na minha primeira vez por lá, fizeram duas perguntas: o que eu faço (profissão) e quanto tempo eu ficaria no país. Na minha segunda, e última experiência, fizeram mais perguntas: quanto eu levava em dinheiro; para onde eu estava indo; qual a finalidade da viagem; e quanto tempo eu ficaria no país. A permissão para a permanência no país para pessoas com visto de turismo é de 6 meses, mas, bom que o viajante retorne no período que informou na imigração.
  10. O que posso levar ou trazer dos EUA – Essas informações são disponibilizadas pelas próprias companhias aéreas, que também informam a quantidade de bagagem que pode ser transportada, o peso e o custo delas;

Em razão da pandemia de Covid-19 precisei realizar o teste Covid-19 em até 24 horas antes do embarque aos EUA. Isso pode ser feito dentro dos aeroportos, mas exige que o viajante chegue com bastante antecedência para que dê tempo do resultado sair – até 4 horas – precisa estar negativo. Além disso, foi necessário apresentar o comprovante de vacina contra COVID-19 – retirado pelo aplicativo CONECTE SUS. No retorno ao Brasil, precisei apresentar um resultado negativo para COVID-19 – fiz esse teste gratuitamente nos EUA; e preencher um formulário on-line, super extenso, da Agência de Vigilância Sanitária, a ANVISA.

Como nosso espaço por aqui é insuficiente para dispor tantas informações, faz-se necessário discorrer sobre o “Diário de viagem aos Estados Unidos”, na próxima semana.

Para solicitar um passaporte: https://servicos.dpf.gov.br/sinpa/inicializacaoSolicitacao.do?dispatch=inicializarSolicitacaoPassaporte

Para solicitar visto americano: https://br.usembassy.gov/pt/visas-pt/

FOTOS: Arquivos pessoais

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